
O Ambulatório de Doença Trofoblástica Gestacional da Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa (NMDER), completa 10 anos consolidado como o principal centro especializado no diagnóstico e tratamento da doença no Piauí, oferecendo acompanhamento contínuo desde a identificação até a cura das pacientes. Criado para garantir assistência especializada e reduzir os riscos de evolução para formas graves da doença, o serviço já acompanhou mais de 200 mulheres, atendendo pacientes da capital e municípios do estado.
A Doença Trofoblástica Gestacional é uma condição rara, que acomete cerca de uma a cada duas mil gestações e pode evoluir, em aproximadamente 20% dos casos, para a forma maligna, conhecida como câncer da placenta. O diagnóstico precoce e o acompanhamento em centro especializado são fundamentais para garantir o tratamento adequado e alcançar altas taxas de cura.
O ambulatório funciona em parceria com a Universidade Federal do Piauí (UFPI), integrando assistência, ensino e pesquisa. Os atendimentos são realizados semanalmente, com acompanhamento das pacientes desde o diagnóstico até a remissão completa da doença, além de servir como campo de prática para estudantes e residentes.
Segundo o médico obstetra e coordenador do ambulatório, Arimatéa Santos Júnior, o serviço desempenha papel fundamental na assistência especializada e na recuperação das pacientes. “A Doença Trofoblástica Gestacional, apesar de rara, pode evoluir para o câncer da placenta em parte dos casos. Por isso, é essencial que essas pacientes sejam acompanhadas em centros de referência como o nosso. Ao longo desses 10 anos, já tratamos mais de 200 mulheres, desde o diagnóstico até a cura. Quando diagnosticada precocemente e tratada adequadamente, a doença apresenta alta taxa de cura, e o tratamento preserva a fertilidade da paciente”, destacou.
Além da assistência médica, o ambulatório também contribui para a formação profissional. A médica residente em Obstetrícia, Melina Ramos, ressalta a importância do serviço na formação. “Para nós, residentes, é uma oportunidade importante de aprender o manejo dessa condição, que é rara, e saber como conduzir esses casos no futuro. É um ambulatório de referência no estado e fundamental para nossa formação, pois nos permite acompanhar a evolução das pacientes, muitas delas evoluindo para a cura”, afirmou.
A paciente Laís Cristina dos Santos, que está fazendo acompanhamento no ambulatório, destaca a importância do suporte durante o tratamento.“Quando descobri, foi um impacto muito grande, porque eu não sabia que essa condição existia. Mas, com todo o suporte que recebi aqui, ficou mais leve passar por essa fase. O acompanhamento é muito importante. Eles tiram nossas dúvidas, orientam e nos dão segurança durante todo o tratamento. Eu recomendo que outras mulheres sigam o acompanhamento até o final, porque faz toda a diferença”, relatou.
O ambulatório também é campo para o desenvolvimento de pesquisas acadêmicas. A mestranda em Psicologia Hévila Marques, do Programa de Mestrado Multiprofissional em Saúde da Mulher da UFPI, desenvolve estudo voltado à compreensão dos aspectos psicológicos vivenciados pelas pacientes atendidas no serviço. “A pesquisa busca dar visibilidade às experiências dessas mulheres, especialmente ao luto pela perda simbólica da gestação e às repercussões emocionais do diagnóstico. A proposta é contribuir com a construção de protocolos que fortaleçam a humanização do cuidado”, explicou.









